Ponto de Vista

 

LIBERTE O MONSTRO QUE VIVE EM VOCÊ!

VOIGT BRASIL RH : LIBERTE O MONSTRO QUE VIVE EM VOCÊ!

Venho me ocupando em tratar das metamorfoses do líder. Brinco com as suas várias fácies, já por antecipação sabendo impossível fixá-las e delimitá-las em máscaras. Aborrecem-me os textos que se ocupam em definir formas e cristalizá-las, virando mote de repetição. Quais os tipos de líderes? Democrático, autocrático, liberal (ou lassiez faire), apressam-se em responder como se tais categorias dessem conta da complexidade com que se instituem as políticas de forças no ambiente organizacional.

Falei de um líder nômade que, por certo, é avesso a tais categorizações, na medida em que faz da errância o seu lugar, por paradoxal que possa parecer; do líder bicho, que se mantém em estado de prontidão e de abertura para a escuta de si e do outro/mundo. Agora quero falar do líder monstro. Faço, contudo, uma ressalva: tais nomenclaturas que invento não podem ser consideradas formas-padrão ou chaves para deciframento dos estilos que a liderança pode assumir, mesmo porque, considerando o modo como as descrevo, seria uma impropriedade.

Monstro e monstrare  tem a mesma raiz etimológica.  Tanto pode indicar ou mostrar algo, como ser uma advertência. O monstro pode assumir qualquer forma porque é um mutante. Distingue-se pelo excesso ou pela falta, ultrapassando os limites das convenções. São fontes de fascínio, e também de horror e de riso. Ele mostra a sua diferença, mantendo-se na fronteira entre o humano e o animal. Lembremos de monstros clássicos do cinema, a exemplo de Frankstein, de Alien, e tantos outros que nos provocaram uma atração irresistível, e ao mesmo tempo povoaram os nossos pesadelos. Os Gremilins, contudo,  apesar do terror, fazem-me rir. O ogro Shrek e a sua Fiona me enternecem; e até podemos dizer que monstros como eles são lindos. Monstros que vêm dos infernos, do mundo fantástico, do outro mundo (e nem sabemos dizer que mundo é esse), do espaço sideral. O fato é que sempre estivemos e estamos cercados de monstros de todos os tipos, e a contemporaneidade, ao apontar a fragilidade das formas, abre-nos as portas para o monstruoso.

Mas vejam: sempre que dizemos que alguém é um monstro, pensamos em algo violento e destrutivo. Por certo, ao corromper as formas duras das convenções há, sim, violência e destruição. Aquela massa informe que é o Alien, assusta-nos porque perverte a imagem estável que temos dos seres vivos; ele altera  nossa percepção de mundo. Mas é preciso pensar que qualquer modo de instituição do novo, qualquer mudança, implica num embate entre forças e estratégias de luta. Há, entretanto, uma diferença entre destruição como proposição do novo, e violência e destruição pelo gosto de submeter ou fazer desaparecer. Pois, pensem numa massa de modelar e dêem a ela uma forma qualquer: deverá imprimir na matéria uma força para destruição da forma inicial, na direção de uma outra forma, por exemplo, de um bonequinho.  É certo que a massa, ainda que não percebamos, resiste a essa mudança, e faz uma força contrária. Então, quero dizer, que o monstro nos assusta porque mostra a fragilidade das formas e nos incita para a mudança. E é mesmo por isso que igualmente nos fascina: não suportaríamos viver num mundo imutável. O contraponto é a destruição como cessação da diferença, como queria Hitler, e por isso o chamamos de monstro. Hitler, na sua desmedida, mostra-nos e adverte-nos para o oposto do que propõe: toda tentativa de subtrair a diferença resulta em atentado à vida.

Aprendi em física que quanto mais complexo o sistema maior o grau de entropia, ou seja, desse embate de forças. Sendo assim, a vida tem o mais alto grau de entropia e o cristal o mais baixo grau. Por isso, quando temos alguma fixação de pensamento, ou de formas de organização, dizemos estar cristalizado. O fato é que a complexidade e o terror diante da fragilidade dos limites, faz com que nos lancemos, desesperadamente, na construção de formas que nos dêem a ilusão da estabilidade, da imutabilidade.

E o líder monstro, o que mostra ou adverte aos seus liderados?

Talvez advirta que algo sempre  escapa, e nos escapa, sendo tola toda tentativa de fechamento e de fixação – o monstro incita movimento e a corrupção das fronteiras, apontando para esse grau extremo de entropia.  Talvez lhes mostre que não há poder sem resistência, sem escapatória ou fuga. Talvez os provoque a criar, corrompendo as formas duras que lhes tira a espontaneidade.  Talvez, ainda, permita-lhes viver o avesso, ou o reverso, estimulando-lhes a produzir novos arranjos no ambiente de trabalho, nas relações interpessoais, nos processos organizacionais. Talvez lhes faça sair do lugar pelo susto, pelo riso ou pelo deslumbramento. Sim, porque como os monstros, há líderes de todo tipo: os que nos provocam sustos e nos deslocam, os que nos fazem rir de contentamento ou de escárnio, os que nos deslumbram pela sua irreverência, os que nos fazem temer pelo caráter destrutivo.

Liberte, pois, o monstro que vive em você!

 

 

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