Ponto de Vista

 

PELOS PODERES DE GRAYSKULL

PELOS PODERES DE GRAYSKULL, EU TENHO A FORÇA!

 

OU O LÍDER HE MAN!?

 

 

Algumas leituras se distinguem na nossa vida pelo seu caráter revigorante. Ultimamente tenho me dedicado à leitura de dois filósofos franceses, Michel Foucault e Giles Deleuze, que deixaram um importante legado para pensar questões relativas a temas como “poder”. Gostaria, pois, de compartilhar algumas reflexões com vocês.

 

A primeira grande contribuição de Foucault diz respeito à desmistificação do que concebemos como poder. Recordo-me do desenho animado americano He Man. Ele levantava sua espada e bradava: “I have the Power”. A palavra power tanto pode ser traduzida como força quanto como poder. Ele possuía o poder. À época muitas crianças ganhavam espadas similares e sentiam-se poderosos com o símbolo do super herói americano. Voltemos, pois, a Foucault. Ele nos diz que a posse do poder é uma falácia, uma ilusão. O poder não é um algo que se possua; são estratégias que dizem respeito a uma política de forças. Então, o poder é uma relação de forças, ou melhor, toda relação de forças é um poder.

 

Este destaque que o filósofo dá ao tema merece que pensemos como nos comportamos em relação à nossa experiência com o poder. Temos por diversas ocasiões conversado sobre liderança. Cabe, então, perguntarmos como aquele que assume esta condição, vez que também não se trata de um dom ou de um “traço de personalidade” como querem alguns psicólogos, joga no jogo das relações políticas, econômicas, culturais, sociais e afetivas da sua empresa. E esta, obviamente, integra um jogo muito maior. Outros jogos que não cessam de acontecer.

 

É interessante notar que incluí na lista a palavra afeto. Isso porque o exercício de poder aparece, antes, como uma força para afetar outras forças e pessoas com as quais o líder está em relação. Os movimentos do líder também se constituem em forças. Neste jogo cabem ações como: incitar, suscitar, produzir. Estes são afetos ativos, que os líderes devem mobilizar para que os jogos aconteçam e as pessoas efetivamente joguem, produzindo estratégias movidas por seus desejos e objetivos, que podem ser coletivos ou coletivizados.

 

Agora os deixo com tais inquietações e vou apimentar mais ainda esta conversa com a afirmação de Deleuze: “Todo poder é triste”. O que significa isso? Ele faz um contraponto ente potência e poder. A potência é a realização daquilo que somos e podemos. Ele identifica na alegria essa realização máxima porque nos faz fugir da má consciência, da resignação e dos afetos tristes. Os afetos tristes nos desvitalizam.

 

Assim, enquanto a potência, pela alegria, faz-nos resistir e afirmar a vida, o poder concorre e trabalha para a destruição das potências. Então, poderíamos ouvir o brado de He Man, traduzindo power como potência, mas isso não resolveria, na medida em que não é apenas ele que faz o jogo acontecer: todos participam numa rede de interconexões e se afetam mutuamente, inclusive seus opositores, como o temível Esqueleto. Trata-se de um jogo sempre inclusivo e tenso.

 

Então, pense no tipo de liderança que você exercita, como você se relaciona com o poder e com as potências, ou que tipo de afetos você incita.

 

Vamos continuar conversando!

 

 

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